Nº 017
Económicos
Festivos & Sazonais · Centro

Económicos

Também conhecido por: Bolos económicos · Biscoitos económicos · Azeiteiros · Sodos · Biscoitos à moda da Beira Alta

O biscoito de festa feito do que havia em casa — e só o açúcar é que se comprava.

Origem
Beira Alta e interior centro, doçaria rural e festiva com raízes na economia doméstica do interior
Região
Beira Alta
Época
Festas, romarias e lanches; sobretudo Páscoa
Doçura
Riqueza
Dificuldade

Os económicos são biscoitos dourados da Beira Alta e do interior centro, daqueles que se faziam às dezenas para encher os cabazes das festas, das romarias e dos lanches de Páscoa. O nome diz tudo: eram a doçaria possível para quem tinha pouco, feita quase só com o que a casa e o campo davam.

A massa é simples e rende muito — farinha, ovos, açúcar, leite, azeite (por vezes com manteiga) e um cálice de aguardente para perfumar — e levanta com fermento até cada colherada virar um pequeno monte. Saem do forno pincelados com gema e polvilhados de açúcar e canela; nas ocasiões mais solenes, ganhavam uma amêndoa no cimo, lembrança das muitas amendoeiras dos campos da região. São biscoitos algo secos mas fofos, que se guardam bem e duram dias.

Não há aqui nada de conventual nem de refinado: é o doce honesto da aldeia, feito em grandes fornadas para se partilhar à mesa comprida, no lanche ou ao café.

Ingredientes
  • Farinha de trigo
  • Ovos
  • Açúcar
  • Leite
  • Azeite
  • Aguardente
  • Fermento
  • Canela e açúcar (para polvilhar)
  • Manteiga (opcional)
  • Amêndoa (opcional)
Sabor & textura

São fofos por dentro, mas de miolo algo seco — biscoito de guardar — com a casca dourada onde a gema brilhou e o açúcar caramelizou. A doçura é moderada e caseira, atravessada pelo perfume quente da aguardente e da canela, sobre o fundo macio que o azeite e o leite dão à massa.

Variações

Cada casa tem a sua versão: uns usam só azeite, outros juntam manteiga ou óleo; há quem ponha sumo de laranja, raspa de limão ou erva-doce, e quem prefira polvilhar só de açúcar em vez de canela. A amêndoa no topo, outrora comum por haver muitas amendoeiras nos campos, reserva-se hoje para as fornadas mais especiais. Pelas Beiras e por Trás-os-Montes encontram-se parentes muito próximos sob outros nomes, como os azeiteiros e os sodos.

Onde provar

São doce de casa e de festa mais do que de pastelaria, por isso o melhor sítio para os provar é uma romaria ou uma feira da Beira Alta, ou a mesa de uma família da região por alturas da Páscoa. Em aldeias históricas como Almeida e Castelo Mendo, a receita tem sido recuperada e divulgada como parte do património gastronómico local.

Acompanha bem com

Pedem um café ou um chá no lanche; em dia de festa, acompanham bem um cálice de vinho do Porto, um moscatel ou a própria aguardente que lhes perfuma a massa. Na Beira Alta não é raro servirem-se também com queijo da Serra.

História

Os económicos pertencem à tradição rural da Beira Alta e do interior centro, e fazem parte da mesma família de biscoitos caseiros que percorre as Beiras e Trás-os-Montes — onde primos próximos se chamam azeiteiros, pelo azeite que entra na massa, ou sodos. O nome "económicos" nasce da sua própria razão de ser: numa economia de subsistência, eram a forma de ter doce de festa sem gastar quase nada, já que os ingredientes eram caseiros e, como contam na Aldeia Histórica de Almeida, "só o açúcar é que tinha de ser comprado".

Eram, e ainda são, doce de ocasião e de lanche: das festas do santo padroeiro à Páscoa, das romarias aos serões de família, cozia-se uma fornada enorme para durar e para se oferecer. Por se basearem no que cada casa tinha, variam de aldeia para aldeia e de família para família, e a receita "verdadeira" é, no fundo, a que se guarda em cada caderno de cozinha.

Fontes: aldeiashistoricasdeportugalblog.pt · tradicional.dgadr.gov.pt · aldeiashistoricasdeportugalblog.pt · docesesobremesas.com