Nº 204 Bolo Podre de Castro Daire
Festivos & Sazonais · Centro

Bolo Podre de Castro Daire

Também conhecido por: Bolo Podre de Lamelas · Folar de Castro Daire · Folar da Páscoa Castrense

O folar alto e dourado de Castro Daire, rico em ovos, azeite e três gorduras.

Origem
Castro Daire · Serra do Montemuro
Região
Castro Daire · Serra do Montemuro
Época
Todo o ano em algumas padarias · máxima tradição na Páscoa
Doçura
Riqueza
Dificuldade

O Bolo Podre de Castro Daire é um folar doce de massa lêveda, alto, redondo e profundamente aberto no topo. Apesar do nome, não é um bolo estragado nem um pão escuro: tem crosta castanho-dourada, miolo amarelo, fino e macio, e uma riqueza pouco habitual dada por muitos ovos, azeite, manteiga e banha.

Amassa-se e tende-se como pão. A farinha recebe açúcar, canela, fermento, sal e ovos; o azeite aquecido leva consigo a manteiga e a banha, entrando aos poucos até a massa se descolar das mãos. Depois de uma levedação longa, formam-se bolas, risca-se ou deixa-se o topo abrir e cozem-se tradicionalmente no forno a lenha. As fontes locais sublinham uma particularidade decisiva: além das gorduras e dos ovos, a versão castrense não leva outro líquido.

Ingredientes
  • farinha de trigo
  • ovos
  • açúcar
  • azeite
  • manteiga
  • banha de porco
  • fermento de padeiro
  • canela
  • sal
Sabor & textura

Ligeiramente doce, rico mas equilibrado, com perfume discreto de canela, crosta tostada e miolo amarelo, macio e elástico entre pão e brioche.

Variações

As proporções mudam entre aldeias e padarias; algumas receitas incluem limão, sobretudo em zonas onde o fruto abundava. Há ainda versões comerciais com queijo e fiambre e até gelado de Bolo Podre, mas o produto histórico é o pão doce simples de Páscoa. A página separada do Bolo Podre alentejano evita fundir duas tradições diferentes apenas por partilharem o nome.

Onde provar

O Forno da Serra, na Avenida 5 de Outubro em Castro Daire, publica a composição e aceita encomendas. Outras padarias do concelho e de Lamelas também o produzem, com especial procura na Páscoa; confirme disponibilidade fora da época festiva.

Acompanha bem com

Queijo de cabra e presunto de Castro Daire para o contraste tradicional, ou chá e café numa merenda doce.

História

O bolo nasceu como folar doméstico da Páscoa. As famílias de Castro Daire amassavam-no para a mesa festiva e para os padrinhos oferecerem aos afilhados, muitas vezes acompanhado por presunto e queijo de cabra. Um estudo do Instituto Politécnico de Viseu regista que a comercialização regular só se afirmou no início da década de 1990, embora a confeção familiar seja muito anterior.

A Confraria do Bolo Podre e Gastronomia do Montemuro foi criada em 2011 e registou a marca «Bolo Podre de Castro Daire». Em 2019, o doce integrou os 420 nomeados das 7 Maravilhas Doces de Portugal na categoria Doces Festivos. Não deve ser confundido com o Bolo Podre alentejano, que tem composição, formato e página próprios.

Fontes: fornodaserra.pt · repositorio.ipv.pt · adrimag.com.pt · jornaldocentro.pt · gazetarural.com