Nº 271 Pastéis de Feijão do Patronato de Mangualde
Doçaria Conventual · Centro

Pastéis de Feijão do Patronato de Mangualde

Também conhecido por: Pastel de Feijão do Patronato · Pastéis de Feijão de Mangualde · Pastéis do Patronato · Pastéis do Patrocínio - Mangualde

Doçaria de convento ao serviço da obra social de uma paróquia.

Origem
1936 · Patronato de Nossa Senhora do Sameiro, Mangualde (raiz conventual beirã)
Localidade
Mangualde
Região
Centro
Época
Todo o ano
Evidência
Bem documentado
Doçura
Riqueza
Dificuldade

O pastel de feijão do Patronato é um pequeno tartelete de massa fina e estaladiça recheado com um doce sedoso de feijão branco, amêndoa e gemas de ovo. À primeira vista confunde-se com um pastel de nata — mesmo formato, mesma promessa dourada —, mas basta a primeira dentada para perceber que se trata de outra coisa: a base é mais leve, o recheio mais denso e perfumado, sem o creme amanteigado da nata.

Faz-se em Mangualde, na pastelaria do Patronato, desde 1936, e segue uma receita guardada a sete chaves. O feijão cozido e bem passado dá corpo e uma textura aveludada; a amêndoa traz aroma; as gemas dão a cor de oiro e a doçura serena que assenta na boca.

Serve-se à temperatura ambiente, polvilhado ou não com açúcar, normalmente comprado à dúzia numa caixa de cartão simples. Aguenta cerca de duas semanas em sítio fresco — virtude que o tornou companheiro de viagem dos emigrantes da Beira.

Ingredientes
  • Feijão branco cozido
  • Amêndoa
  • Gemas de ovo
  • Açúcar
  • Farinha
  • Manteiga
  • Água
  • Raspa de limão
Sabor & textura

Recheio denso e aveludado, doce mas comedido, com o aroma da amêndoa e o fundo terroso e suave do feijão; a massa, fina e estaladiça, contrasta com o interior macio. Mais leve na base do que um pastel de nata.

Variações

Não confundir com o pastel de feijão de Torres Vedras, outra tradição com a sua própria escola. O de Mangualde é creditado ao Patronato e a receita exacta do recheio permanece secreta, com pequenas diferenças entre quem o faz.

Onde provar

Na pastelaria do Patronato, em Mangualde, onde se vendem normalmente à dúzia. As receitas continuam a apoiar a obra social da paróquia — um centro de dia e um lar de idosos.

Acompanha bem com

Um café cheio ou uma bica, ou um copo de moscatel; ao lanche, acompanham bem um chá.

História

O Patronato de Mangualde nasceu na década de 1930, em plena depressão económica e às portas da Guerra Civil de Espanha, por ideia do Monsenhor Manuel da Cruz Ferreira Monteiro: uma casa que acolhesse durante o dia os filhos das mulheres que trabalhavam. Para sustentar financeiramente a instituição e as obras sociais da paróquia, abriu-se uma pastelaria.

Foi D. Maria Amélia Ortiz Ribeiro quem dirigiu a cozinha e trouxe as receitas da doçaria conventual — o bolo regional, o bolo de azeite, os caramujos ou jesuítas, os papos de anjo, as lampreias de ovos. Das suas mãos saiu também, desde a primeira hora em 1936, o famoso pastel de feijão, hoje uma das mais antigas e identitárias receitas da doçaria beirã.

Base documental

Bem documentado

5 fontes

Identidade sustentada por fontes institucionais, especializadas ou concordantes.

  1. cmmangualde.pt/744/pasteis-de-feijao (abre numa nova janela)
  2. paroquiademangualde.pt/pastelaria (abre numa nova janela)
  3. paroquiademangualde.pt/patronatoencomendas (abre numa nova janela)
  4. andarilho.pt/2020/12/16/patronato/ (abre numa nova janela)
  5. pt.wikipedia.org/wiki/Pastel_de_feij%C3%A3o (abre numa nova janela)
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