Florado de Lagoa
Também conhecido por: Florados de Lagoa · Florado · Floradas
A flor da amendoeira feita doce de convento.
- Origem
- Século XVIII–XIX · Convento de São José, Lagoa
- Localidade
- Lagoa
- Região
- Algarve
- Categoria
- Doçaria Conventual
- Época
- Todo o ano · destaque na Mostra do Doce Conventual de Lagoa
- Evidência
- Bem documentado
O Florado de Lagoa é um doce conventual do Barlavento algarvio, um pequeno disco redondo e fundo que evoca, na sua forma e nos seus tons de creme e dourado, as amendoeiras em flor que cobrem a serra algarvia no fim do Inverno. Sobre uma base de amêndoa laminada e doce de ovos assenta uma coroa de fios de ovos, finíssimos e brilhantes, e um véu de canela em pó que arremata o conjunto como o pó dourado de uma corola.
É um doce de aparato, denso e perfumado, daqueles que se servem em pratos e travessas em ocasiões de festa. Come-se às colheradas ou em pequenas porções, deixando que a amêndoa, o açúcar e a gema se desfaçam juntos na boca.
Longamente guardado entre paredes de convento e, mais tarde, no segredo das mãos das doceiras de Lagoa, regressou às montras da vila para se afirmar como marca identitária do concelho.
- Amêndoa laminada
- Açúcar
- Doce de ovos
- Fios de ovos
- Gemas de ovo
- Canela em pó
- Água
Intensamente doce e rico em gema, com a amêndoa laminada a dar mordida e perfume e os fios de ovos a fundirem-se em fios sedosos; a canela acrescenta um calor aromático que corta a doçura.
Há quem disponha os fios de ovos mais soltos ou mais cerrados sobre a base e quem dispense ou reforce a canela; as versões antigas, ligadas a Berta Rosa Limpo e às doceiras locais como Cremilde Paias, diferem em proporções e acabamento.
Encontra-os em pastelarias do concelho de Lagoa que aderiram à comercialização a partir de 2022 — em Lagoa, Parchal, Ferragudo e Carvoeiro — e, com destaque, na Mostra do Doce Conventual de Lagoa.
Pede um café curto ou uma aguardente de medronho do Algarve; um vinho generoso ou um moscatel também equilibram a sua doçura.
A origem do Florado liga-se ao Convento de São José de Lagoa, erguido no início do século XVIII (entre 1710 e 1713) e habitado sucessivamente por carmelitas e por dominicanas de Santa Catarina de Sena. A atribuição a estas comunidades religiosas é forte mas não está plenamente documentada: se a raiz for carmelita, o doce remontará ao século XVIII; se nascer da passagem entre comunidades, ao século XIX. A primeira referência escrita conhecida surge como "Floradas" na edição de 1946 d'O Livro de Pantagruel, de Berta Rosa Limpo.
Durante décadas a receita manteve-se quase secreta, confecionada apenas para casamentos, batizados e outras ocasiões festivas, e chegou a cair em desuso. A Câmara Municipal de Lagoa recuperou-a como património gastronómico, levando-a às mostras de doçaria conventual e, em 2022, iniciando a sua comercialização em pastelarias parceiras.
Bem documentado
Identidade sustentada por fontes institucionais, especializadas ou concordantes.
- cm-lagoa.pt/conhecer/produtos-locais/gastronomia/docaria (abre numa nova janela)
- ncultura.pt/florados-de-lagoa-docaria-conventual/ (abre numa nova janela)
- cozinhatradicional.com/florados-de-lagoa-algarve/ (abre numa nova janela)
- algarvevivo.pt/florados-de-lagoa-em-destaque-na-17a-mostra-do-doce-conventual-de-lagoa/ (abre numa nova janela)