Nº 005
Donas-Velhas
Fritos · Norte

Donas-Velhas

Também conhecido por: Donas Velhas

Um nome de doce que a memória guarda, mas que os livros não confirmam.

Origem
Atribuído a Lamego, no Norte — alegadamente um doce frito de tradição caseira, mas sem qualquer registo documental conhecido
Região
Lamego
Época
Indeterminada (por analogia, festas e Natal)
Doçura
Riqueza
Dificuldade

As Donas-Velhas são apresentadas como um doce frito ligado a Lamego, no coração do Douro vinhateiro, supostamente da grande família dos fritos do Norte — próximas das filhós e das rabanadas — feitas de uma massa enriquecida com ovos que se frita até dourar e se passa por açúcar e canela ainda quente.

Convém, porém, ser franco: não encontrámos este nome em fontes fidedignas de doçaria de Lamego nem em receituários regionais. Os doces realmente documentados da cidade são outros — os pastéis Lamegos, as carolinas, as rosquinhas, o pão-de-ló, os peixinhos de chila, os papos-de-anjo e as barrigas-de-freira. O nome aproxima-se das donas-amélias da ilha Terceira, nos Açores (essas, sim, um doce real, mas cozido e não frito), o que sugere alguma confusão de origem.

Descrevemo-las, portanto, com reservas: como um doce de partilha, em fornadas grandes, melhor acabado de fritar — se de facto existir sob este nome.

Ingredientes
  • Farinha de trigo
  • Ovos
  • Açúcar
  • Canela
  • Raspa de limão
  • Manteiga ou banha
  • Óleo para fritar
  • Sal
Sabor & textura

A descrever-se pelo modelo dos fritos do Norte: crocantes à superfície e macios por dentro, com o doce do açúcar a contrastar com o calor da canela e um fundo de ovo e limão; uma fritura honesta e reconfortante, mais saborosa enquanto morna. Sabor inferido a partir de doces semelhantes, não de uma receita confirmada.

Variações

Caso exista sob este nome, seguiria o destino dos fritos tradicionais, em que a receita muda de casa para casa: mais ou menos ovo, perfume de vinho do Porto ou aguardente, banha em vez de manteiga, calda de açúcar em vez de canela seca. O formato e o nome aproximá-la-iam das filhós e de outros fritos do Norte.

Onde provar

Não conhecemos casa, pastelaria ou confeitaria que venda um doce com este nome, em Lamego ou noutro sítio. Quem o procurar fará melhor em perguntar diretamente a famílias e em romarias da região e em confirmar se não se trata, afinal, de outro frito do Norte ou das donas-amélias açorianas.

Acompanha bem com

Como qualquer frito do Douro, pediria um café cheio ou um cálice de vinho do Porto ou de moscatel a equilibrar o doce e a canela.

História

Lamego é terra de forte doçaria, muita dela com raiz nos conventos da cidade e do Douro, onde a abundância de ovos, açúcar e a arte de fritar deram origem a um repertório próprio e bem documentado. As Donas-Velhas, no entanto, não constam desse repertório conhecido: não localizámos autores, datas, receitas ou referências em fontes regionais ou conventuais que confirmem a existência de um doce com este nome.

O mais provável é tratar-se de um nome popular muito localizado, de uma variante caseira de outro frito do Norte, ou de uma confusão com as donas-amélias açorianas. Como tantos fritos transmitidos oralmente, qualquer doce assim viveria sobretudo na memória das famílias e nas épocas festivas — Natal, Carnaval, romarias —, o que explicaria a ausência de registos; mas, na falta de prova, registamos a sua existência como não confirmada.

Fontes: confrariamor.com · clubevinhosportugueses.pt · pastelariadalila.pt · saborintenso.com · pt.wikipedia.org