Cavacórios de São Lázaro
Também conhecido por: Cavacórios · Cavacórios de Vila Real
A taça branca que se enxaropa em vinho do Porto.
- Origem
- Trás-os-Montes · Vila Real · associado à capela de São Lázaro do Bairro dos Ferreiros (fundada em 1520)
- Região
- Vila Real
- Época
- Festa de São Lázaro · domingo antes do Domingo de Ramos (período antes da Páscoa)
O cavacório é um doce côncavo, de feitio que lembra uma taça ou uma concha, irmão próximo da cavaca transmontana. Sob uma carapaça lisa e muito branca de glacê de açúcar esconde-se um interior seco e arejado, fendido como se tivesse nervuras — a casca dura estala ao primeiro toque e desfaz-se em pó doce na boca.
É doçaria de festa, vendida sobretudo junto à capela de São Lázaro, no Bairro dos Ferreiros de Vila Real, durante os dias dos Lázaros. Empilham-se às dezenas nas bancas, brancos e brilhantes, oferecidos ao santo e disputados pelos romeiros.
Serve-se quase sempre acompanhado de um copo de vinho do Porto. O gesto tradicional é o de espetar levemente o glacê com um garfo e deixar o vinho penetrar pela concavidade — o chamado "enxaropar" — humedecendo um doce que é, por natureza, seco.
- Claras de ovo
- Açúcar branco
- Farinha
- Azeite
- Água
- Açúcar para o glacê
- Sumo de limão
Muito doce e marcadamente seco: a casca de glacê estala e dissolve-se quase pulverulenta, deixando um miolo leve e arejado. É um doce que pede líquido — daí casar tão bem com o vinho que o vem amaciar.
O cavacório é, no fundo, uma cavaca de feitio côncavo e vocação festiva. Pela região há cavacas mais planas e de casca mais grossa, e o tamanho e a brancura do glacê variam de tabuleiro para tabuleiro, conforme a mão de quem os faz.
Procure-os em Vila Real nos dias da festa de São Lázaro, no domingo anterior ao Domingo de Ramos, nas bancas junto à capela do Bairro dos Ferreiros. Fora dessa época, encontram-se em pastelarias e estabelecimentos da cidade, sobretudo no período antes da Páscoa.
Vinho do Porto, de preferência um Porto doce, ou outro vinho generoso do Douro — a combinação clássica e quase obrigatória da festa.
Não há registos documentais firmes sobre a origem do cavacório, que se enraizou na tradição de Vila Real por caminhos perdidos. O doce está indissociavelmente ligado à devoção a São Lázaro, venerado como protetor contra as doenças de pele — varíola, bexigas e afins — e tido por benfeitor que salvou o Bairro dos Ferreiros de uma epidemia. A capela que lhe é dedicada remonta a 1520.
Duas leituras simbólicas, ambas sem confirmação, associam a forma côncava ora ao sofrimento de Cristo, ora à mão de São Lázaro estendida em caridade. Certo é que o cavacório, ao lado das bexigas, se firmou como o doce por excelência da festa dos Lázaros, celebrada no domingo anterior ao Domingo de Ramos, com missa, leilões e a solene procissão que percorre as ruas do bairro e a ponte metálica.
Fontes: folclore.pt · otorgador.pt · viagens.sapo.pt · universidade.fm