Doce Fino do Algarve
Também conhecido por: Doce Fino · Doces Finos do Algarve · Doçaria Fina do Algarve · Frutos de massa de amêndoa
Miniaturas de amêndoa pintadas à mão, onde a fruta do pomar se faz doce.
- Origem
- Raízes mouriscas medievais · Doçaria conventual do século XVIII, Algarve (Faro)
- Região
- Faro
- Época
- Todo o ano
O doce fino é a mais lúdica das doçarias algarvias: pequenas esculturas de massa de amêndoa, moldadas à mão e pintadas com cores vivas para imitar frutos, legumes e bichos. Vê-se de tudo numa bandeja — figos e morangos, espigas de milho, cestos, galinhas e leitões, peixes e estrelas-do-mar — cada peça com poucos centímetros e um acabamento que engana o olhar antes de agradar ao palato.
Por dentro, muitas das figuras escondem um recheio de fios de ovos ou de doce de gema, que contrasta com a casca compacta e perfumada de amêndoa. Mordem-se de uma só vez, doces e densos, quase como um bombom.
Servem-se em caixas de oferta ou em pequenas travessas, sobretudo ao café e nas festas. São tanto guloseima como peça decorativa, e poucas coisas dizem "Algarve" com igual eloquência sobre uma mesa de doces.
- Amêndoa ralada
- Açúcar
- Clara de ovo
- Gemas de ovo (fios de ovos / doce de gema)
- Água
- Corantes alimentares
- Raspa de limão (opcional)
Intensamente doce e marcadamente a amêndoa, com uma casca densa e ligeiramente granulosa que dá lugar a um recheio sedoso e açucarado de fios de ovos ou doce de gema. É rico e concentrado — pensado para se comer aos poucos.
Variam sobretudo na forma e no recheio: umas peças levam fios de ovos, outras doce de gema ou doce de chila, e há quem as deixe simples de massa de amêndoa. Em certas casas mantêm-se as formas antigas de queijinhos e presuntos, ao lado dos frutos e animais mais coloridos.
Encontram-se em pastelarias e casas de doçaria tradicional por todo o Algarve — de Faro e Loulé a Portimão e Tavira — e em feiras e mercados regionais, normalmente vendidos ao peso ou em caixas de oferta. Procure os artesãos que ainda moldam e pintam as peças à mão.
Pedem um café curto ou, melhor ainda, um cálice de medronho ou de licor de amêndoa amarga do Algarve, que equilibram a doçura intensa.
A doçaria fina do Algarve deve as suas raízes à presença árabe na Península Ibérica, que durante séculos cultivou amendoeiras e figueiras no sul e legou o gosto pelos doces de amêndoa e açúcar. Esse saber foi depois absorvido e refinado pela doçaria conventual do século XVIII, que juntou os ovos — sobretudo as gemas, na forma de fios de ovos e doce de gema — à massa de amêndoa local. Há registos da sua produção pelo menos desde o início do século XX, e estas guloseimas chegaram a figurar em banquetes de Estado.
A forma colorida que hoje conhecemos é, porém, relativamente recente: foi sobretudo a partir da década de 1950, com a chegada do turismo de massas e influências da escola de maçapão de Toledo, em Espanha, que se generalizou o uso de corantes e a modelação minuciosa de frutos e animais. Antes disso, as figuras mais comuns eram queijos e presuntos, definidos com chocolate ou com a superfície tostada. A produção espalha-se hoje por todo o Algarve, de Sagres a Vila Real de Santo António.
Fontes: pt.wikipedia.org · tradicional.dgadr.gov.pt · tradicional.dgadr.gov.pt · vortexmag.net · portobay.com