Bom Marido e Boa Esposa
Também conhecido por: Bons Maridos · Boas Esposas · Bons Maridos e Boas Esposas
Um par de pastéis que casa o ovo, a amêndoa e o grão num só doce.
- Origem
- Século XX · Ferreira do Zêzere (criado em 1970)
- Localidade
- Ferreira do Zêzere
- Região
- Centro
- Categoria
- Doçaria Conventual
- Época
- Todo o ano
- Evidência
- Bem documentado
Os "Bons Maridos" e as "Boas Esposas" são pequenos pastéis individuais que nascem de uma fina massa estendida à mão, recortada e moldada em conchas douradas no forno. Por dentro guardam um recheio espesso de gemas, amêndoa e açúcar, ao qual se junta — no caso do "Bom Marido" — o inesperado grão-de-bico cozido e passado, que lhe dá corpo e uma untuosidade aveludada, sempre temperado por um aroma marcado a limão.
A "Boa Esposa" é o seu par perfeito: a mesma massa e a mesma base de ovos, mas com o grão trocado por doce de gila e perfumada com raspa de laranja, mais clara e fresca no paladar. Servem-se como par, lado a lado, e é nessa dualidade afetuosa — marido e mulher — que reside o encanto deste doce de Ferreira do Zêzere.
Pequenos, dourados e de aspeto humilde, escondem um interior denso e brilhante. Comem-se à mão, ao fim de uma refeição ou com o café, e cada exemplar leva mais de duas horas de trabalho artesanal até chegar ao balcão.
- Farinha
- Manteiga
- Sal
- Água
- Açúcar
- Gemas de ovo
- Amêndoa
- Grão-de-bico (Bom Marido)
- Doce de gila (Boa Esposa)
- Raspa de limão e de laranja
Massa fina e quebradiça que cede a um recheio denso, doce e aveludado; no "Bom Marido" o grão-de-bico dá-lhe corpo terroso e o limão corta a doçura, enquanto a "Boa Esposa", com gila e laranja, é mais leve, fresca e perfumada.
A grande variação é o próprio par: o "Bom Marido" leva grão-de-bico e limão; a "Boa Esposa" troca-os por doce de gila e raspa de laranja. Fora deste binómio, o doce mantém-se fiel à receita artesanal de Ferreira do Zêzere.
São praticamente exclusivos de Ferreira do Zêzere, onde se vendem na Pastelaria Pérola do Zêzere, a casa que os tornou famosos e que ainda os faz inteiramente à mão. Compram-se sempre como par, marido e esposa.
Pede um café cheio ou uma bica curta; para prolongar a doçura, um cálice de moscatel ou de licor de medronho acompanha bem.
O "Bom Marido" terá nascido em 1970, atribuído a Beatriz Soeiro e Silva, mulher de um antigo presidente da câmara, que o apresentou e premiou num concurso de doçaria do concelho, ficando consagrado como doce regional de Ferreira do Zêzere. A receita foi mais tarde recuperada por Emília Peixoto, que a personalizou com amêndoa e limão e começou a produzi-la na sua Pastelaria Pérola do Zêzere.
A pedido dos próprios clientes, que achavam que ao "Bom Marido" faltava uma companheira, Emília Peixoto criou a "Boa Esposa", com a mesma base mas recheio de gila e raspa de laranja. O par ganhou notoriedade nacional quando o "Bom Marido" chegou à final do concurso 7 Maravilhas Doces de Portugal em 2019, transformando-se no doce-símbolo da vila.
Bem documentado
Identidade sustentada por fontes institucionais, especializadas ou concordantes.
- mediotejo.net/ferreira-do-zezere-na-terra-dos-bons-maridos-ha-um-sabor-a-maravilha-c-video/ (abre numa nova janela)
- publico.pt/2018/03/19/fugas/noticia/no-ponto-boas-esposas-e-bons-maridos-1807184 (abre numa nova janela)
- cm-ferreiradozezere.pt/noticias-turismo/1888-ja-conhece-a-terra-dos-bons-maridos (abre numa nova janela)
- regiaodozezere.pt/2019/05/07/7-maravilhas-doces-de-portugal-bons-maridos-passam-a-fase-seguinte/ (abre numa nova janela)
- docesportugueses.com/ferreira-do-zezere/ (abre numa nova janela)