Pastel de Chaves Doce
Também conhecido por: Pastel de Chaves de doce de ovos · Folhado doce de Chaves
A meia-lua folhada de Chaves, desta vez com recheio doce.
- Origem
- Chaves, Trás-os-Montes — variante doce, pouco documentada, do célebre pastel salgado de Chaves (este último com história contada desde 1862 e registo IGP da UE em 2015)
- Região
- Chaves
- Época
- Todo o ano
A meia-lua folhada que tornou Chaves famosa é, na sua forma clássica, salgada — uma folhada fininha, de muitas camadas, dourada e estaladiça, recheada de vitela picada. A versão doce parte da mesma ideia de massa, mas troca a carne por um recheio adocicado, normalmente de doce de ovos: creme amarelo de gemas e açúcar, por vezes com um toque de chila ou canela.
Não é um produto certificado nem tradicional. As variantes do pastel de Chaves que aparecem documentadas são sobretudo salgadas (queijo, fiambre) ou de tamanho reduzido; a versão de doce de ovos é rara, mais ligada a receitas caseiras e a algumas pastelarias do que a uma tradição firmada. Quando existe, vende-se como uma curiosidade gulosa, não como a estrela da montra.
Morde-se e ouve-se a massa estalar; depois vem o doce, sedoso, a contrastar com o folhado seco e quebradiço. É uma sobremesa de balcão, simples e honesta, sem pretensões conventuais.
- Massa folhada (farinha, água, gordura, sal)
- Gemas de ovo
- Açúcar
- Manteiga ou banha
- Casca de limão ou canela (q.b.)
- Doce de chila (opcional)
- Gema para pincelar
A primeira sensação é a da massa: seca, leve, a desfazer-se em lâminas estaladiças. Logo a seguir chega o recheio, doce e aveludado, com o sabor inconfundível das gemas cozidas em ponto de açúcar. O contraste entre o folhado crocante e o creme macio é a sua razão de ser. Doce, mas não enjoativo, sobretudo se levar limão.
O recheio doce mais habitual é o doce de ovos, mas também se encontra creme pasteleiro, chila ou uma mistura. Algumas versões polvilham açúcar e canela por cima. À parte do recheio, segue a forma e a massa do pastel salgado. Note-se que as variantes do pastel de Chaves mais conhecidas continuam a ser salgadas — como as de queijo ou fiambre — e os formatos mini.
É difícil de encontrar: não é um produto de loja garantido. Vale a pena perguntar nas pastelarias de Chaves que dominam o pastel folhado, pois algumas fazem ou improvisam versões doces. Fora de Chaves é raríssimo, e em muitos sítios mais fácil de fazer em casa do que de comprar.
Um café cheio ou uma bica curta cortam o doce na perfeição. Quem preferir pode acompanhá-lo com um copo de moscatel ou um vinho generoso do Douro, já ali ao lado.
O pastel salgado de Chaves tem história contada: remonta a 1862, quando uma vendedora de origem desconhecida percorria a cidade com pastéis de forma estranha numa cesta, e a fundadora da Casa do Antigo Pasteleiro lhe terá comprado a receita. Obteve proteção nacional como Indicação Geográfica (publicada em Diário da República em 2012) e foi reconhecido como Indicação Geográfica Protegida pela União Europeia em maio de 2015 — proteção que abrange apenas a versão de carne de vitela.
A versão doce não tem origem documentada nem inventor conhecido. Surge pontualmente em receitas e em algumas pastelarias que aproveitam a massa folhada para um recheio de doce de ovos, mas não constitui uma tradição estabelecida. Por estar fora da IGP, não pode usar sozinha o nome protegido "Pastel de Chaves".
Fontes: pt.wikipedia.org · tradicional.dgadr.gov.pt · avozdetrasosmontes.pt · dchaves.pt