Broas de Mel de São Martinho
Também conhecido por: Broas de mel e erva-doce · Broas dos Santos · Broas de São Martinho
O biscoito de mel e erva-doce que cheira a magusto e a Outono.
- Origem
- Doçaria popular da região de Lisboa e Vale do Tejo e do centro de Portugal, ligada às festas de Outono (Todos os Santos, São Martinho e Natal)
- Região
- Lisboa
- Época
- Outono e Inverno — sobretudo São Martinho (Novembro) e Natal
As broas de mel são pequenos biscoitos rústicos, escuros e perfumados, que aparecem nas mesas da região de Lisboa quando chega o frio e se acende o primeiro magusto. Não têm o aspecto polido da pastelaria de montra: são irregulares, achatadas, com um brilho fosco de mel e um aroma fundo a erva-doce e canela.
Nascem da despensa de Outono — mel, especiarias, frutos secos — e fazem-se em quantidade para durar a estação. São o doce de acompanhar a castanha assada e o vinho novo, mais para petiscar à mão do que para servir em prato.
A cada dentada solta-se o perfume quente da erva-doce, que é a sua assinatura inconfundível e as distingue das muitas outras broas regionais.
- Farinha de trigo
- Mel
- Açúcar
- Erva-doce (sementes de funcho/anis)
- Canela
- Azeite ou manteiga
- Ovo
- Nozes ou amêndoas
- Passas
Doces sem serem enjoativas, com a doçura redonda do mel temperada pela canela e, sobretudo, pelo travo fresco e ligeiramente alcaçuzado da erva-doce. A textura é firme e quebradiça por fora e mais densa lá dentro, com a mordedela rústica das nozes e o toque húmido das passas.
Há quase tantas receitas quantas as cozinhas: umas levam azeite e ficam mais rústicas e duradouras, outras manteiga e ficam mais macias; algumas juntam laranja ou aguardente, e muitas trocam ou acrescentam às nozes amêndoas ou pinhões — estes últimos são a marca das broas de Almeirim. A constante é o par mel e erva-doce.
São raras nas pastelarias de montra e vivem sobretudo nas casas, nas feiras de Outono e nos magustos de bairro e de escola à volta do 11 de Novembro. Procure-as em padarias e doçarias tradicionais e nos mercados de Lisboa e do Ribatejo nessa época, ou peça a receita a quem ainda as faz em casa.
O par clássico é a água-pé ou o vinho novo do magusto e um punhado de castanhas assadas; fora da época, acompanham bem um chá preto ou um café cheio.
As broas de mel pertencem à família das broas tradicionais da região de Lisboa e Vale do Tejo — como as de Almeirim, de Torres Novas ou de Abrantes — feitas com farinha, mel, azeite, frutos secos e especiarias. São doces de festa de Outono e Inverno: comem-se sobretudo no Natal e, em muitas zonas, também por Todos os Santos (daí o nome "broas dos Santos") e à volta do São Martinho, a 11 de Novembro, quando o magusto junta castanhas assadas e o vinho do ano.
Convém não as confundir com as broas de mel de cana da Madeira, biscoitos natalícios feitos com melaço de cana e de outra história. As da região de Lisboa são doçaria popular, em larga medida caseira, transmitida de casa em casa e de aldeia para a cidade, e por isso variam tanto de receita para receita.
Fontes: tradicional.dgadr.gov.pt · en.wikipedia.org · pt.wikipedia.org · iguaria.com