Beijinhos
Também conhecido por: Beijinhos de coco · Bolinhos de coco · Beijos de coco
Bocadinhos de coco e ovos, dourados na ponta, doces de morder os lábios.
- Origem
- Doce tradicional · de Norte a Sul
- Região
- De Norte a Sul
- Época
- Todo o ano
Os beijinhos são pequenas trouxas de coco ralado ligado com ovos e açúcar, moldadas à mão em montinhos ou bolinhas e levadas a forno brando até ganharem uma casca dourada e um interior húmido e fibroso. São doces de bandeja: aparecem nas vitrines das pastelarias, ao lado dos suspiros e dos pastéis de coco, e em qualquer mesa de festa.
O nome é um diminutivo carinhoso — um beijinho, um beijo pequeno —, e a forma redonda e tentadora explica-o sem palavras. De Norte a Sul fazem-se com poucos ingredientes e muita habilidade de mão, sempre com o coco como protagonista.
- coco ralado
- açúcar
- ovos (ou gemas)
- raspa de limão (opcional)
- uma pitada de sal
- água (para a calda, opcional)
Muito doces e intensamente perfumados a coco, com a borda estaladiça e tostada a contrastar com um miolo macio, húmido e ligeiramente mastigável. O ovo dá-lhes corpo e uma riqueza amanteigada; a raspa de limão, quando presente, corta o açúcar e refresca a boca.
Há beijinhos só de claras e açúcar, próximos do suspiro, e outros bem ricos em gema, mais densos e dourados. Alguns levam calda de açúcar em ponto, outros apenas açúcar misturado a frio; uns saem do forno claros, outros bem tostados. A versão mais famosa fora de Portugal é o beijinho brasileiro de leite condensado, não assado e enrolado em coco, com um cravo-da-índia espetado no topo.
Em praticamente qualquer pastelaria tradicional portuguesa, geralmente na bandeja dos secos junto aos pastéis de coco e aos suspiros, e em feiras e festas populares de Norte a Sul. Vila do Conde, terra do beijo de freira conventual, é uma boa paragem para quem segue o rasto da doçaria de coco e amêndoa. Os melhores beijinhos são frescos do dia, com a borda estaladiça e o miolo ainda húmido — fogem dos que já secaram na montra.
Uma bica ou um café cheio para equilibrar a doçura, ou um cálice de moscatel ao fim da refeição.
Os beijinhos de coco pertencem à grande família ibérica dos doces de coco, próxima das cocadas, que se firmou em Portugal sobretudo a partir do século XIX e XX, quando o coco ralado se tornou um ingrediente corrente nas despensas e pastelarias. A versão portuguesa distingue-se por ser ligada com ovos e levada ao forno, ao contrário das cocadas brasileiras de calda ou de leite condensado.
O nome ecoa um doce conventual mais antigo, o beijo de freira — atribuído às clarissas do Convento de Santa Clara de Vila do Conde —, originalmente feito com amêndoa, gemas e calda de açúcar e moldado em forma de lábios. Foi essa receita de amêndoa que viajou para o Brasil; aí, com o coco em abundância, a amêndoa deu lugar ao fruto ralado e nasceu o beijo de coco e, já no século XX, com leite condensado e um cravinho ao centro, o beijinho de festa hoje famoso. Os beijinhos de coco assados que se vendem em Portugal partilham o nome carinhoso e o gosto pelo coco, mas seguem o seu próprio caminho à base de ovos.
Fontes: iguaria.com · sobremesasdeportugal.pt · saboreiaavida.nestle.pt · cozinhatradicional.com · cozinhaeliteratura.blogspot.com · pt.wikipedia.org · cozinhaecultura.com